Ligamento Cruzado Anterior
O que é ?
Como ele rompe?



O que é o Ligamento Cruzado Anterior (LCA)?

O ligamento cruzado anterior (LCA) é uma estrutura firme que liga o fêmur à tíbia.
É um dos principais ligamentos responsáveis pela estabilização do joelho.



Quais atividades que mais lesionam o LCA?

A lesão do LCA pode ocorrer de diversas maneiras no esporte.
-No futebol por conta das mudanças bruscas de direção.
-No basquetebol é comum na aterrisagem após salto.
-Em países com neve, é comum na prática do Ski pela torção do joelho com o ski preso na neve.

Além da lesão ligamentar, a torção por gerar danos na cartilagem ou nos meniscos.



O que sinto quando leso o ligamento cruzado anterior (LCA)?

O paciente sente o joelho inchado e doloroso, além referir uma sensação de falseio. Alguns estudos mostram que mais de 90% das pessoas que lesionam o LCA sentem ou até ouvem um estalo no joelho no momento da lesão.
Normalmente, o atleta não consegue retornar para a prática esportiva e logo após o trauma já apresenta o joelho bastante inchado.


Quem está mais em risco de sofrer a lesão?

A maioria das lesões acomete jovens atletas, principalmente amadores por não possuir preparo muscular adequado.
É mais comum nos homens por praticarem mais futebol de maneira geral!
As mulheres, no entanto, estão mais em risco por apresentarem um joelho mais estreito, terem constitucionalmente o joelho mais elástico, sendo susceptíveis inclusive a variações hormonais do ciclo menstrual.


O que fazer se torci o joelho?

Após a torção, recomenda-se que o paciente não pise no chão, faça gelo por 15-20 minutos e procure um especialista.

Vale lembrar que após todo e qualquer torção do joelho, um ortopedista especializado deve ser consultado o mais rápido possível para afastar lesões mais graves associadas.
Para isso, podemos usar a ressonância magnética para comprovar a lesão e avaliar se há outras lesões associadas.


Como prevenir?

- Mantenha sempre o fortalecimento muscular : o músculo preparado ajuda a proteger sua articulação.
- Evite a fadiga: Esportes realizados no limite do cansaço geram brechas para que o músculo deixe de proteger seus ligamentos.
- Cravas de chuteira muito grandes podem travar o pé no gramado, predispondo a lesão!


Como tratar?

Os pacientes que não sentem instabilidade do joelho no dia-a-dia podem optar pelo tratamento conservador (não cirúrgico), desde que tenham em mente que não poderão mais realizar esportes que envolvam mudanças de direções, saltos ou aterrisagens. Além disso, precisarão realizar fortalecimento muscular por toda a vida.

O tratamento cirúrgico é o mais recomendado, na maioria dos casos, para pacientes ativos, atletas amadores, atletas profissionais ou que apenas gostam de praticar atividades físicas.
A reconstrução do ligamento cruzado anterior é uma das cirurgias mais realizadas na ortopedia, é feita de maneira Artroscópica (pequenas incisões) e apresenta ótimo resultados!


Como é feita a cirurgia do Ligamento Cruzado anterior (LCA)?

O Ligamento Cruzado Anterior não cicatriza sozinho. Muito pelo contrário, após seu rompimento ele se torna bastante friável (esfiapado), de modo que não é possível seu reparo.

Deste modo, é preciso reconstruir o ligamento com enxertos de tendões de outros lugares do joelho.

A cirurgia de reconstrução do LCA é feita com pequenos cortes no joelho e com auxílio de um câmera de vídeo (Artroscopia).
Desta maneira, a reconstrução se torna minimamente invasiva.
Dentre as vantagens, temos:
- Menor dor no pós-operatório
- Recuperação precoce
- Menores índices de infecção

No planejamento pré-operatório, o cirurgião e paciente devem juntos discutir o tipo de substituto do ligamento, conhecido como enxerto. Os enxertos podem ser:
- Isquiotibiais (semitendíneo e grácil)
- Tendão patelar ( parte central)
- Tendão de doadores
- Tendão quadricipital
- entre outros

A decisão de qual enxerto utilizar é bastante individualizada, todos possuem suas vantagens e desvantagens.

De modo geral, os isquiotibiais são os mais utilizados por propiciarem menores incisões e menos dor no pós operatório.
O tendão patelar em contrapartida, é normalmente utilizado em atletas de alto nível, por propiciar uma estabilidade adicional.

Além disso, é bastante comum lesões associadas. Logo, no início da cirurgia, o joelho é todo inspecionado para avaliar principalmente os meniscos e o aspecto da cartilagem.


Como o enxerto é preso no osso?

O enxerto passa por túneis realizados tanto na tíbia quanto no fêmur e depois fixado nestes mesmo ossos.
As maneiras mais comuns de fixar o enxerto são através do endobottom ou do parafuso de interferência.
O endobottom suspende o enxerto através de fios de alta resistência.

Veja o vídeo para entender como funciona o endobotton



Já o parafuso, não é um parafuso comum. É chamado de parafuso de interferência!
Ele comprime o enxerto (tendão ou osso retirado da parte doadora do joelho) contra o túnel ósseo.

Veja a foto abaixo para entender.



Como é a fisioterapia após cirurgia do Ligamento Cruzado Anterior?

Objetivo da reabilitação após a cirurgia é promover o alívio da dor, redução do inchaço, fortalecimento e reestabelecimento da amplitude de movimento (dobrar e esticar todo o joelho).
Após alcançados esses parâmetros, focamos na fortalecimento muscular e o retorno do paciente às suas atividades.

O tratamento fisioterapêutico após a cirurgia de reconstrução do LCA deve primeiramente respeitar o tipo de enxerto e a técnica realizada para fixação deste enxerto. O objetivo da reabilitação é promover o alívio da dor, a redução do edema, a restauração da amplitude de movimento do joelho, o fortalecimento muscular gradativo e o retorno do paciente às suas atividades de rotina e esportivas, sem sobrecarregar os tecidos em cicatrização (novo ligamento). A fisioterapia deve ser individualizada e, nos primeiros dias, são recomendadas sessões diárias. De acordo com a evolução do tratamento, estas sessões podem ser espaçadas para duas ou uma vez por semana.


O que posso fazer no pós-operatório e o que devo evitar?

Fase 1 (1° semana): realizar gelo durante 20 minutos a cada 2 horas, de preferência com a perna estendida e elevada. Exercícios de contração leve a moderada do músculo da coxa e do quadril, com a perna estendida (exercícios isométricos). Exercícios de flexão (até 90°) e extensão do joelho, com apoio dos pés (cadeia cinética fechada). Caminhar com o apoio de duas muletas e com descarga de peso leve na perna operada, de acordo com o tolerável. Quando em repouso, EVITAR apoio embaixo do joelho (por exemplo, almofadas, travesseiros), pois esta posição pode estimular a rigidez da articulação. O correto é manter a perna estendida com um apoio no calcanhar.

Fase 2 (2° a 3° semana): Retirada da muleta do lado operado. Realizar a marcha o mais próximo do normal (sem mancar) e descarregar o peso total de forma progressiva. Exercícios de alongamento dos músculos posteriores da coxa. Os exercícios de fortalecimento muscular são gradativamente inseridos de acordo com o tolerável.

Fase 3 (3° a 8° semana): O paciente é encorajado a caminhar sem muletas. A amplitude de movimento deve ser completa (extensão total e flexão de aproximadamente 130°) e os exercícios de fortalecimento intensificados (com carga). Os exercícios de flexão (até 120°) e extensão total do joelho sem apoio do pé (cadeia cinética aberta) podem ser realizados de forma progressiva nesta fase. A bicicleta estacionária é liberada, bem como o treino de caminhada na esteira.

Fase 4 (2° ao 4° mês): aumento gradativo da carga dos exercícios. O treino de musculação pode ser inserido, sem sobrecarregar a articulação. Exercícios leves de equilíbrio na cama elástica podem ser iniciados.

Fase 5 (4° ao 6° mês): o programa de reabilitação é intensificado e inicia-se o treinamento específico de gestos esportivos, coordenação motora, reequilíbrio muscular e estabilização da articulação. Início de trote progredindo para corrida.


Em quanto tempo posso voltar a fazer de esporte após reconstrução do LCA?

A decisão de retornar ao esporte deve considerar a avaliação do médico e do fisioterapeuta em relação à amplitude de movimento e à força muscular do membro operado (especialmente os músculos da coxa e do quadril). Esta avaliação é realizada, se possível, utilizando o aparelho Dinamômetro Isocinético, o qual permite uma análise computadorizada da força, potência e resistência muscular de forma precisa e objetiva, além de identificar os possíveis desequilíbrios entre os grupos musculares e facilitar as correções e o redirecionamento do programa de reabilitação, se necessário.


Possíveis complicações

Um dos mais frequentes transtornos é a redução na sensibilidade da pele ao redor da incisão.
Isso pode acontecer, pois, em algumas pessoas há um ramo de um nervo sensitivo que passa próximo à incisão.
Essa complicação, porém, normalmente é bem tolerada sem grandes repercussões.


Dr. Bruno Butturi
Especialista em cirurgia do joelho
CRM: 175.419 | RQE: 87.292
USMLE certificate number: 0-959-289-0